sexta-feira, 23 de novembro de 2012

homem anjo

o homem anjo calmamente se agacha na fonte, a fonte era de água escura, tão escura quanto os mais inalcançável recantos de seus próprios medos, mas não era uma água suja, era como se naturalmente escura, e ali tinham penas caídas e o reflexo de seu próprio nascimento, vida e morte. Chorando o homem pega um pouco da água com um pote...um pote de porcelana, branco e com lindos detalhes de rubi, esmeralda e opala, e assim ele desce o santuário ate a estrada que ali o levou. O vento machucava e o sol o tocava ardentemente, era um deserto com uma estrada de pedra... uma estrada já velha e quase inexistente, algumas pedras aqui, outras ali, outras alinhadas e outras semi enterradas... assim ele caminhou até o outro lado da manhã onde no meio da estrada descansava uma cobra. Mas não uma cobra comum, era gigante, 7 milhas, com um olho azul e outro vermelho e suas escamas contavam a historia da humanidade com pinturas e escrituras como paredes egípcias. Percebendo a alma benevolente que se aproximava a cobra saiu de seu caminho revelando ali uma porta... uma solitária porta sem nada atrás, na frente ou nos lados, apenas uma porta de madeira, aparentemente nova, com 4 retângulos alinhados na frente e maçaneta de prata. Ao abrir a porta se via um corredor longo e silencioso de paredes brancas sujas e desgastadas onde o levaram ao seu fim, onde havia outra porta de mesma aparência da porta que ali o levou. Ele abre a porta e encontra uma sala branca... cegamente branca e vazia, ao fechar a porta percebe-se que de dentro a porta se diferencia de seu lado externo. Uma porta grande como a de um antigo casarão, de madeira nobre e apodrecida com detalhes em ouro e mais fina arte... uma fechadura grande com uma pequena chave brilhante como o fogo e ao lado no meio da porta... um grande olho... um olho um tanto assustado,atento, sério, duvidoso, agonizante. O homem anjo então vai ao meio da sala, as paredes tem mensagens de sangue em línguas desconhecidas e inexistentes das quais seu sub-consciente deduz seu significado...calmo como se já soubesse onde estava, o homem coloca o pote no meio da sala e ali se senta ao olhar o pote...

- eu vejo apenas a angustia do mundo, as pétalas que caem das insanas mentes humanas.

então ele botou a chave no pote com água e se ouviu :

aqui estou e aqui sempre voltarei, aqui mergulharei em todos meus tormentos e felicidades, todos os pesadelos e momentos...até o fim dos tempos.

E ali continuou... olhando seu destino já passado e rejeitado...eternamente.


By : me

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