sexta-feira, 28 de novembro de 2014

amaldiçoo meus antepassados
eternos malditos
ou talvez homens-pássaro
que voaram e cativaram estrelas
que queimaram vivos a ponto de se tornar uma
cinzas de luz que caminham de volta 
lentamente rastejam para debaixo da terra
onde cravam a existência do amor na face da dor
por que não me instruístes as direções
porque morreram em vão ?
estou perdido 
perdido e caído nesse vão
e se não me ajudar a voar
quem me ajudará então ?

sábado, 25 de outubro de 2014

solidão
recíproca
realização
irônica
diretor de tragédias
seguidor da rotina
firmes rédias
coringa em agonia
sonhador na escola
sina em cega euforia
aderindo a escória
sentimental e calma
doce criança
poluída alma

terça-feira, 23 de setembro de 2014

se pensar é não sentir
e sentir não e pensar
se eu penso eu existo ?
pois se sentir é vivenciar
e pensar é teorizar
o que é viver ?
andar, cambalear
simplesmente passear
se pessoas são apenas pessoas
e as plantas deveriam apenas ficar lá
qual a diferença ?
o que é "quem" ?
como é ser alguém ?
apenas futilidade
se não planta o que semeia
colhes o que lhe resta
e o nada é imenso
e só...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Cale-se !
não ouve ?
a trova amordaçada
a vate berrante calada por sua própria humanidade
seu corpo batente clamando o inexistente
chorando quieto banhando-se dessa calamidade
Não vê !!!?
não és nada !!
tua voz inaudita até por você
desista de cantar teu louvor
para que morrer ?
não há porque ser trovador
nascer para sofrer
feito para se despir
no deserto de ser
alguém lembra do homem anjo ?
é...
eternamente se esbanjando em seu passado
não serei assim !!

terça-feira, 1 de julho de 2014

Treuffar

não me lembro de ter acordado tantas vezes em um só segundo
parecia até aquela foto recém moldada
bem no fundo
atrás das fotos de família
e das fotos constrangedoras daquela infância cheia de penas
mas ela não estava nem empoeirada e nem esquecida
sabe ?
lá no fundo você vê o que você passou
e o que aconteceu até você chegar lá
naquela foto recém moldada
onde o universo se passava em um segundo
e todo dia você ia lá
descobrir sua vida, seu lar
o teto branco
caindo sob o armário espelhado
...
eu lembro da neve prateada
tocando-me os dedos
da implosão  movendo-se pelo sincero perímetro de seu dedicado sorriso
e enquanto as cortinas se abriam o próximo ato
seus olhos de infinito
...
como uma gota solitária abrindo seu caminho
espalhando em calmas ondas
sua suavidade profunda de fogo tempestoso
que olhos...
e ao chegar à costa solitária
essa areia ardente queima meus pés
sou um homem de seu mar
óh Eurídice
o sol descansa após o inferno
deixe-me te alcançar
seja de corpo ou de espectro
seja em vida
ou mesmo repetindo a rima... no inferno


clemência
eu peço...
uma licença "poética" à nós
simplesmente um tabu, blasfêmia artística talvez
nascemos e vivemos
alimentando nossos corações
no fundo todos nos achamos grandes
as vezes grandes de mais para esse mundo
escrevemos e pintamos
levamos ao cosmos e aos olhos famintos
as verdades sofridas e prazerosas do tato e visão
tocamos as magias da audição ilimitada de todos ou outros sentidos
e cantamos a felicidade de ouvir
besteria...
piada, cócegas de poeira
clamamos por o que é tão impossível quanto não voar
perdidos em um quarto sem saída
quatro paredes e uma porta
como é tão impossível sair de lá ?
na verdade...
contestamos o todo
exclamamos ofegantes
sem voz
porque somos tão pequenos
amordaçados berrando dor por clemência
perdidos se esbaldam de nossa existência

estou morrendo
solenemente desaparecendo
eu estou pronto ?

domingo, 18 de maio de 2014

eu vejo
é o mar escuro tropeçando em meu olhar de travesseiro
é a parede cega que se reflete
no altar santo, santa cruz de piedade e desejo
sobejo
para que asas se o céu de quimeras envenenam as nuvens ?
e a desesperança confusa chove em telhados encharcados de vertigens
eu vejo ?
ou o reflexo borrado,fixado infelizmente em tal remetente ?
destinatário deitado a espera de seu vigor sem selo ou endereço
delírios ? será o esquecimento tão santificado que clamo ?
mas eu escuto
o sapatear de seus passos de valsa dançando com o fogo
suspiros alegres e sorrisos de prata óh lua crescente no céu
são seus dedos molhados enquanto se entrelaçam e agarram meus pés
se desfasem em uma guerra de algodão que breve se dissipa em sermão
marola do fim da noite
que o sol lá do outro lado
lá deite descanse sob tão lindo prado
e se dissiparão essas cortinas de alcatrão
as nuvens cinzentas
e lá a tímida e prateada grama de vidro reluzente
bebeis do vinho
o novo vinho....



quinta-feira, 8 de maio de 2014

48 cores diluídas
se tornam nada
1001 opiniões
me roubam a fala
passos trilham a escada
Apalpa a parede
essa névoa alta
os atores agradecem a presença
o teatro canta
mas não escuto
já não mais entendo a pena
caída de pinheiros maduros
não é escrita
nem dita
é poesia
é o arrepio entre as palavras
tudo o que não se escreve
tudo o que mata
tudo que dói
incoerência
eu chamo
teu doce encanto
praga de recanto
thanatos
anjo ceifador
foice de louvor
campos ermos elisios
deito em ode é tua harpa
entro em sua arca
eis a canção farta



domingo, 6 de abril de 2014

você sabe o que é esperar uma ligação desesperançosa ?
um sonho ferido
uma busca por rosas
em seu leito marujo
olhe o céu de concreto
olhe o branco dividindo o escuro
o som de sonho fresco espanta o ouvido
e a lembrança de erro corrói o pesadelo
deitado de mãos sob o peito
sabe, eu não precisava de desculpas
eu não queria explicações do quanto minha negação deveria se estender
estava testando os perímetros de meu fracasso
mas a esperança escassa
tocava outra vez
com o toque roubado por casacos baratos
e uma vida paródica de roubos alheios
e toca outra vez ao martelar do martelo fraterno
longe de casa
uma piada
um escárnio divino
veneno vicioso que me deixaste com tanta sede
como parte desse show
ofereço-lhe essa piada
vamos todos rir
da piada incompleta

domingo, 30 de março de 2014

Where o' where

rain o' rain
tickles your brain
rest assurded
with tasty cotton dreams again

rolls o' rolls
drops cleanse the seeds of sow
pools of silver purity
roam roam oh sailor catch the flow

droping sound dance tonight
find your own way to groove alright
not a complex rythm
funny as a weasel
just move your fingers and let them rhyme

where o' where
might the drops be going


clemencia

O circo de saladino
Arem escondido de ninfas dos mares negros
cubram os céus seus véus de espinhos
seus olhos de caveira observam o carretel
em seu desenrolar de véu
cubram-se os mares de tinta negra
as luzes vazias do horizonte cavam dinheiro
de bosques ermos e leilões 
doação de direitos
meu país jogando as tripas no bolso de estrangeiros 
e meus elísios brotam e defloram a cerca da exploração
uma flor ao vento
apenas um investimento
move sua continua vontade de dançar e presentear
e de tirar
aposte seus sonhos minha doce criança
minha doce esperança
não sei dançar a vida
ou a malicia da escrita explicita
mas sei saborear a encolha da noite
sei não ser eu e ser o que eu não queria ser
sei o que é não esquecer
e afogar o meu ser
ralo abaixo
o rio segue sua música
cantando baixo
onde a luz do sol não o ofusca
a sombra dança
e o quieto não descansa
grita, geme, contorce-se, esperneia, esmurra
se encolhe onde a parede o empurra
grades e parede
corredores e gritos
clemência sedenta de sede
gritam como grilos
4 cantos e uma lampada
uma maca e faces sem estampa
mão limpas ?
cortem sua barriga, tirem as tripas



segunda-feira, 24 de março de 2014

O quarto

Ontem eu tive um sonho
Minha raiva tinha se tornado contra mim
E fui expulso á gritos de sua casa
Sabe ?
Nunca achei que depois de cobrir os céus
De nuvens negras, o sol aparecesse de novo
Como um quarto trancado há anos
Onde sorriu como uma criança dopada de siringas amigáveis
E esses breves trailers passam pela sessão de minha tarde 
Como um futuro tão aguardado
A floresta  prateada acaba aqui
E os lobos que farejavam teu suposto medo
Dançavam em carneficina de amigos
Agora só restastes tu nômade
E a imensidão calma do palácio da inquisição
Onde está !?
Safira purgatória !!
Mostre-me teu rosto bobo 
Mostre-me minha partida

terça-feira, 18 de março de 2014

O tempo é curto
E suas cortinas de ferro escondem
trabalhadores marretando seu suor árduo
o transformando em sonhos fúteis
e tudo isso para nos dizer que somos sensatos
e ocasionalmente tristes
mas há países dos quais não entendemos ainda
botes lentos e perdidos
no mar algébrico do simples salário cômodo
afogo-me nessa sede transcendental...
caçador de fogo...
a radio murmura o som noturno
da poesia silenciosa
meu único desejo é ver meu lar outra vez...
sussurro do silencio paródico...
mas isso não é o suficiente !
nunca é...
e ele geme e caminha por pegadas ermas
dopado como um veterano na guerra psíquica
não como um condecorado general
mas como um raso soldado
arrastando-se na lama
atirando com sua arma apoiada no peito
quero que a agitação neurológica volte a sua calma sexual
ele não era um homem pois não tinha sonhos
não era uma guerrilheiro !... pois não tinha armas
era apenas um poeta
e sua dedicação foi mentida ao último degrau
pobre ser
volte para casa

quinta-feira, 13 de março de 2014

& THE COOL FLUTTERING...

& the cool fluttering rotten wind
& a child's hand-print on
picture window
& the guncocked held
on the shoulder.
& fire in the night
waiting, in a darkened house
for the cruel insane breed
from town to arrive
& come poking thru smoke
& fuel & ashes for milk
& the evil leer on their faces
barking w/triumph
Who will not stop them?
The hollow tree, where
we three slept & dreamed
in the movement of
whirling shadows & grass
Tired rustle of leaves
An oldman stirs the dancers
w/his old dance
darkening
swift shadows lean on the
meat of forest
to allow breathing.

Jim morrison

terça-feira, 11 de março de 2014

Um fantasma na cidade
e todos os vultos
iluminam os becos secos
Árduos de sua chacina diária 
O deus da morte faz seu chamado
sua foice deslisa em flores vermelhas
como a rosa
sangue da misteriosa união
nos tornamos destorcidos 
somos demônios clamando o nome de anjos
somos diabretes á busca de um paraíso
mas e os elísios ?
levarei as almas queridas aos elísios
levarei o caos ao que é de seu direito
vida sem proeminente
deus inaudito
inaudível
não sei....
um fantasma na cadeira elétrica apenas
um deus em seu trono
por que lutar ?
se não ordenar ?
ao fim ?
ao fim !!!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

sinto tuas mãos acariciando minha dor
e seus suspiros acalmando meu desespero
óh.... lua de bronze
deitada sob seda
& descansa sob o vento
vazio acolhedor
esta estrada congestionada de silencio
é a sinfonia perfeita...
meu amor...
este é meu ode por ti
por teu glamour
teu vulto escuro
teus olhos cegos
negro de ondas sensuais
dormirei em teus quadris
ao balançar do destino
uma piada
haha...
é tudo uma piada




terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Pique esconde
Aventureiro
Esbanjador conde
Seja no estaleiro
Seja nos céus o esplendor
ele te achará
Música alegre
Dançarinas dançam
Cura-te a febre
Noite de lã
Este é o cabaré de satã
dançam, dançam as dançarinas do diabo
dançam com com seus pés de lebre
E a porta giratória range
Com som de botas esbanje
Tiros celebres
balas por coletes
anjos por amigos
família  de bronze
eternidade vivo

domingo, 12 de janeiro de 2014

Aplaudam o por do sol
Felizes são os últimos raios de luz
areia entre os dedos
E marolas tentam alcançar os pés
Enxovar de companhia se torna a solidão
suplicar a salvação sem perdão
que venha a noite
& tua cegueira de carvão
queima e dança ao subir se fosse
-caminharei pelos caminhos ermos,
santificarei minhas idas
esse voo estático
me libertará das hidras
Caçador de fogo
Provador de venenos
Apenas um homem
Entediado

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Poeta

Um poeta torna-se um sonhador através de um longo, ilimitado e sistemático desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; investiga a si própiro, consome dentro de si todos os venenos e preserva as suas quintessências. Um tormento indescritível onde irá encontrar a maior fé, uma força sobre-humana,com que se torna, dentre todos os homens, o grande inválido, o grande maldito e o supremo cientista ! pois alcança o desconhecido ! e que interessa se for destruído no seu voo extático por coisas inauditas e inomináveis...o poeta como ladão de fogo...

domingo, 5 de janeiro de 2014

Tempo espaço
Ligeiramente escasso
cavando ofegante
olhos vívidos 
cegam futuros distantes
Milênios de razão
por que nos foi concebida a concepção ?
para cavar nossas covas
o trabalho nos guia
pelo sonho árduo
de fazer nossos caixões
de prata e ouro
demônio de couro
abandona o que há
o que é
serei um deus diante dos vivos
e um vivo diante dos mortos

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

ano novo

Rosas ardem diante de olhos esperançosos
Seu polem  deslisa ao vento
Subitamente queimando sua vida
Iluminando estrondosos rugidos
Sorrisos de tristeza
E lágrimas de alegria
Segue o silencio
Deverei eu me opor a tantas
Promessas de desastres ?
Reflexão contínua no paradoxo infinito
Do vazio
Nada mais que uma visão
Nada mais que o vazio de vertigens
E miragens na tela vazia
Mais um dia...
Mais uma estadia
No inferno