sábado, 24 de novembro de 2012

insônia

raio prateado, finito horizonte se abre
levantando-se ao cruzar o prado
apenas meu medo...
se manifestando em meu escasso
psicodélico e mortificante
sono
há uma agonizante abstinência
nada satisfaz...certa...carência
- quem é você ?
- eu sou o que pensas que sou
um voraz e insatisfeito cão
a devorar todos seus desejos
e trata-los em meu intestino
até se tornar arrogância
desprezo e desconfiança
eu sou a terra
eu sou aos seus olhos
o centro da fantasia
sua mais verdadeira e primitiva
companhia
sou seu sub-consciente por inteiro
sou sua mente
- como podes ser minha mente se já não tenho desejos ?
- sabes que tens
- então abra a porta e deixe-me sair
- nunca... como poderei eu depois de experimentar
tal sabor, tal intensidade me satisfazer com puro ar ?
sujo recanto, lençol banco
jogado, as nossa cabeças
esperando o grande espanto
o estranho ar
a preciosa chave
que bate a porta sem pensar
e o liberta da detenção
da agonia de esperar

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